Saindo da caixa

Vivemos na era da caixa. Assim que você nasceu, colocaram-lhe numa caixinha (berço), junto com outras crianças, dentro de uma caixa (sala), dentro de uma caixa maior (o hospital). Quando você chegou ao seu lar materno, você foi mudando de caixa (casa, colégio, clube, trabalho), entrando em caixas, saindo de caixas, caixas empilhadas, espalhadas, penduradas, enterradas, transportando-se em caixinhas metálicas com rodas, com asas, soltando fumaça. E, quando chegar a hora da morte, colocarão você numa caixa de madeira feita sob medida e enterrarão essa caixa nunca fossa com nome de caixa.

O Yoga te ensina a sair da caixa! Sem importar em que caixa você esteja neste momento.

O filósofo William James disse: “não tenho nenhuma dúvida de que a maioria das pessoas vive, seja física, intelectual ou moralmente, num círculo deveras restrito do seu ser potencial. Elas usam uma parcela ínfima da sua consciência possível… mais ou menos como o homem que adquire o hábito de usar e de mover, de todo o seu organismo físico, apenas o dedo mínimo… Todos nós temos reservatórios de vida a serem reaproveitados, com que sequer sonhamos”.

O Yoga é para seres humanos. E está ao alcance de todos. O que precisa para prática-lo? Um bom par de pulmões e a cabeça no lugar. Todos temos mente e pulmões. O resto é acessório. Há algo que é comum a todos os homens, e que por isso nos une, para além das diferenças raciais, religiosas, ou das características anatômicas dos indivíduos. Esse algo é a potencialidade de nos conhecer, de mergulhar no oceano da consciência.

O Yoga é o instrumento que usamos para dar esse mergulho: ao mesmo tempo o ato de mergulhar e o lugar aonde chegamos. Mas fazer Yoga não é mentalizar  pensando em ganhar alguma coisa. Não é exercitar-se pensando em obter um corpo bonito. Pelo simples motivo que, para fazer Yoga, você nem sequer precisa ter braços e pernas. Só pulmões e cabeça.

Por Pedro Kupfer

Deixe seu comentário