Meditação, como construir esse prazeroso hábito

A meditação é um excelente recurso para acalmar, liberar tensões acumuladas, observar os pensamentos e gatilhos emocionais e para criar um espaço mental que nos habilite a administrar melhor as emoções, preparando a mente para o autoconhecimento em todos os seus níveis. Entretanto, quando ainda não conquistamos esse hábito, pode ser desafiador permanecer um tempo em silêncio, com o corpo imóvel, lidando com a nossa própria mente. Para isso, vamos a algumas orientações que facilitam a prática.

Para criar o hábito é importante estabelecer o mesmo local e horário para as práticas. Se você escolher fazer no período da manhã, pode meditar em jejum, caso isso seja possível em sua rotina. De qualquer forma, evite comer demasiadamente antes das meditações. É importante também começar com períodos bem pequenos, de 5, 10 ou no máximo 15 minutos para que a mente vincule a prática à algo prazeroso. Use roupas confortáveis e retire tudo o que possa te prender como cintos, relógios, pulseiras, etc. Faça sempre escolhas que encaixem bem na sua rotina, caso a mudança seja muito extrema sua mente tenderá a romper com a prática.

Posição do corpo:

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O primeiro passo para a meditação é posicionar bem o corpo sobre uma esteira ou tapete. Se você sentir desconforto, não conseguirá meditar já que os pensamentos ficarão agitados e sempre direcionados às essas sensações. Ao mesmo tempo, se houver um extremo relaxamento, sua mente tenderá à letargia ou ao sono. Por isso, escolha uma postura que te traga firmeza e ao mesmo tempo conforto. Podemos começar a meditação trazendo as pernas cruzadas, uma à frente da outra para que os joelhos fiquem o mais próximos do chão (Figura 1), sem forçar o tornozelo e deixando a coluna ereta. Caso o seu joelho não toque o chão, coloque ainda uma almofada ou um cobertor dobrado abaixo deles para que tenham apoio. Se você sentir dor nas costas, encoste na parede, colocando uma almofada atrás da região lombar, permanecendo atento para não relaxar demasiadamente. Se você pratica Yoga verá que a própria prática das posturas físicas darão gradualmente força na musculatura para-vertebral e a liberação das tensões acumuladas na coluna, permitindo que aos poucos você vá descolando as costas da parede confortavelmente.

Se você utilizar uma almofada própria para meditação, sentirá um alívio no quadril e joelhos. Essa almofada deverá ser bem firme para que cumpra a função de retirar a instabilidade e a sobrecarga dos joelhos deixando-os mais próximos do chão e a postura ainda mais confortável (Figura 2).

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Assim que você se acomodar confortavelmente, leve a sua atenção para cada parte do corpo trazendo relaxamento, incluindo a musculatura da face, deixando os braços livres e os ombros soltos. As mãos podem estar posicionadas sobre as pernas, uma sobre a outra com a ponta dos polegares se tocando (Figura 1). Uma vez que o corpo está bem posicionado, é hora de passar para a respiração.

Respiração:

Existem inúmeros prāṇāyāmas, respiratórios importantes para movimentar e expandir a energia vital dentro do corpo. Eles tornam o corpo mais eficiente e ajudam a mente a entrar em um estado meditativo, trazendo a calma e a atenção necessárias para a prática. Você pode começar com uma simples observação da sua respiração que fará com que naturalmente ela se estabilize e vá se tornando cada vez mais calma e profunda. Conte o tempo que você leva para inspirar e o tempo de expiração e iguale esses tempos. Em seguida, vá aumentando gradualmente os tempos, até o seu máximo, atento para não deixar a respiração ofegante. Lembre-se sempre que a respiração ofegante deixa a mente agitada, e o que queremos agora é o efeito contrário. Quando chegar no seu máximo, a respiração estará longa e profunda confortavelmente, então permaneça com a atenção fixa na respiração durante 20 a 30 ciclos. A contagem ajuda a manter o foco na respiração. Ao final desses ciclos, você observará uma mudança no funcionamento da mente.

Observação da mente:

A partir de agora, você pode observar o comportamento da sua mente. A mente nada mais é do que um fluxo de pensamentos, então você observa esse fluxo deixando a mente livre. Nesse momento não tente bloquear pensamentos baseado na crença equivocada de que meditar é parar de pensar. Se você já tentou parar de pensar sabe que isso é impossível, já que a própria constatação de que não há pensamentos é um pensamento. Nesse momento, você deixará os pensamentos virem e irem naturalmente e irá observá-los, evitando fazer qualquer julgamento se são bons ou ruins. Pensamentos são apenas pensamentos e se você é capaz de observá-los, eles não definem a sua realidade. Com esse distanciamento, permita que eles sejam o foco da sua atenção, e observe qualquer emoção vinculada. Permaneça nessa observação por alguns minutos e quando quiser retornar, volte a atenção para o corpo e o mundo exterior. Lembre-se sempre de retornar antes de se cansar, a mente deve vincular a meditação à algo que dá prazer e relaxamento.

Esses passos são introdutórios para a meditação, e podem ser feitos diariamente até que você conquiste o hábito de permanecer alguns minutos em silêncio, consigo mesmo. Uma vez que você é capaz de introduzi-lo em sua rotina, poderá iniciar novas técnicas e passar para outras fases da meditação. Vale a pena dedicar alguns minutos do dia preparando seu corpo e mente para se viver melhor!
Boas práticas, Carina Uchoas.
Publicado originalmente no Satya Yoga

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