Yoga no dia a dia: Santoṣa – o contentamento.

Já falamos diversas vezes que o yoga vai muito além das posturas físicas, dos pranayamas e meditação. Tais técnicas são indispensáveis para um praticante, porém compreende apenas uma pequena parte dessa imensidão chamada yoga. O “algo a mais” do Yoga é aquilo que aplicamos no nosso dia a dia, o ensinamento que existe há milênios e que hoje continua muito atual e procurado por pessoas que querem se aprofundar na prática.

Os yamas e nyamas fazem parte dessa tradição, cuja chama se mantém viva até os dias atuais. Yama significa controle ou domínio, são proscrições éticas ou coisas que devemos deixar de fazer a fim viver uma vida em harmonia com o Dharma – o bem comum. Já os nyamas são prescrições psicofísicas, disciplinas que devem ser adotadas visando o crescimento espiritual.

Hoje escolhi falar sobre santoṣa, um dos nyamas do yoga, ensinamento que pode ser encontrado nos Yoga Sutras de Patanjali e também na Hatha Yoga Pradipika – obras clássicas do yoga.

Santoṣa quer dizer contentamento. A capacidade de cultivar um estado permanente de alegria independente das circunstâncias externas. Quando o yogi consegue perceber-se como um Ser feliz, ilimitado, e calmo, enxerga que, mesmo diante de uma situação desagradável ele não é abalado.

Existe uma parábola de vedanta que ilustra de maneira simples e clara isso que acabei de dizer, chama-se Padmapatra, a folha do lótus na água:

A flor do lótus cresce na água, com suas raízes fincadas na lama. A chuva escorre pelas folhas, mas a flor de lótus permanece intocada, sem se molhar ou afundar na água. As pétalas do lótus têm uma característica única: elas não retêm partículas de poeira. É por isso que esta flor é o símbolo da pureza do Ser. Da mesma forma que as pétalas desta flor, o Ser, embora presente no mundo, permanece como que intocado pelas coisas do mundo. Essa qualidade chama-se nirañjan, aquele que é intocado, imaculado.” Leia mais aqui.

Assim como a flor de lótus, o Ser também permanece equânime diante das situações externas, e portanto, é inabalável a elas. A capacidade de cultivar santoṣa, é a capacidade de se dar conta desse Ser equânime que já somos.

Na teoria esse nyama não é difícil de entender. Sabemos que na prática, no dia a dia, cultivar o contentamento às vezes não é tarefa muito fácil. A dica é aceitar as emoções que vierem, perceber que elas são passageiras e não se identificar com elas.

Segundo o Yoga Sutra de Patanjali: “Santoṣād anuttamaḥ sukhalābhaḥ – Do estado de contentamento surge intensa felicidade”. Vale a reflexão!

Namaste _/|\_

Por Gabriela Zanardi

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