GLOSSÁRIO SÂNSCRITO

Esse glossário não tem nenhuma intenção em substituir um bom dicionário de Sânscrito, mas sim, de auxiliar o praticante que está começando no caminho do Yoga no entendimento das novas palavras que escuta diariamente nas aulas. As palavras foram retiradas do livro Yoga prático e do Guia de meditação, ambos do professor Pedro Kupfer.

Glossário:

a – não, partícula de negação.

abhinivesha – medo da morte, apego à vida: um dos kleshas, as misérias existenciais.

adhama – respiração abdominal, um dos três estágios na prática do pránáyáma.

adhára – suporte, região abdominal.

adharma – vício, pecado, transgressão do dever.

adhibhautika – sofrimento provocado por outrem.

adhidaivika – miséria, dor advinda de circunstâncias exteriores: elementos atmosféricos e influências planetárias.

adhisthana – base, assento.

adhyátma – interno, interior, relativo a si mesmo.

adhyátmika – sofrimento mental, insatisfação, desagrado.

ádi – (ou ády, quando precedido por vogal) primeiro, primordial.

adwaita – não dualista. Filosofia monista: o Vedánta.

advásana – nome de um ásana.

Ágama – testemunho, revelação. Escrituras nas que Shiva ensina as técnicas de Yoga à sua esposa Shaktí. Também designa os manuais do culto vêdico.

agni – um dos pañchatattwas: o elemento fogo.

aham – eu.

ahamkára – auto-referência: é referir-se ao Eu e suas manifestações, identificando-se com elas. Na teoria dos tattwas designa o eu nocional, a massa unitária aperceptiva.

ahimsá – não-violência. Um dos cinco yamas, preceitos de conduta do Yoga de Pátañjali.

ajapa japa – o japa que não é japa, mantra do som da respiração: so ham.

ájña – comando.

ájña chakra – centro de força situado no intercílio.

ákásha – o elemento éter. Designa o espaço sutil onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos da Humanidade, desde seus primórdios. Corresponde ao inconsciente coletivo de Jung.

alambushá  – uma das mais importantes nádís. Estende-se desde o kanda, no abdômen, até a boca.

alasya – inatividade, ócio, imobilidade.

Amarakosha – dicionário sânscrito clássico.

Amarasimhah – lexicógrafo e filósofo, autor do Amarakosha. Viveu entre os séculos I aC. e IV dC.

amrita – imortal, néctar, ambrosia, elixir, sêmen.

anáhata – não batido. Nome do chakra cardíaco.

ánanda – bem-aventurança, felicidade suprema.

Ánandalaharí – poema esotérico do tantrismo.

ananta – o infinito, a serpente de mil cabeças que serve de leito a Vishnu no yoganidrá.

anavasthitattwa – instabilidade.

anga – parte, membro, etapa.

annamáyákosha – o corpo físico denso.

antahkarana – instrumento interior, psiquismo. É o conjunto das qualidades que determinam as experiências pessoais do homem. Segundo a Sámkhya Káriká, o antahkarana compreende o ego (ahamkara), a inteligência (buddhi) e o pensamento (manas).

antar – ou antara interno, interior.

antaranga – membros internos. Designa os últimos três estágios do Yoga: dháraná, dhyána e samádhi.

antarmurkhi – olhar para o interior. Introversão. O processo ascendente de reabsorção dos tattwas na Prakriti, oposto a bahimurkhi, (olhar para o exterior) a emanação da manifestação.

anuloma – encadeado, conectado, na ordem natural. Nome de um pránáyáma.

apána – alento vital descendente, localizado no baixo ventre e na parte inferior do tronco, responsável pelos processos de excreção.

apara – inferior.

aparigraha – não possessividade, desapego; um dos cinco yamas do Yoga Clássico.

ápas ou jála – o elemento água.

Áranyaka – ‘Livros da Floresta’, coleção de textos filosóficos contemporâneos das Upanishads. Foram compostos entre os anos entre 700 e 500 a.C.

Ardhanaríshvara – aspecto andrógino de Shiva, metade homem, metade mulher.

Arjuna – herói da Bhagavad Gítá.

asamprájñata – supracongitivo, último grau de samádhi. É o mais elevado estado de hiperconsciência, no qual o yogin atinge a condição de jívanmukta, liberado vivo, penetrando na essência do seu próprio Ser e estando totalmente incondicionado.

ásana – exercícios psicofísicos do Yoga.

ashtánga – oito partes ou membros. Nome do Yoga de Pátañjali.

ashuddhi – impuro. Estado no qual a consciência é dominada pela miséria existencial (kleshas).

ashwiní – égua. Contração ritmada dos esfíncteres do ânus e da uretra.

asmitá – o egotismo. Uma das aflições humanas, obstáculo ao samádhi. Segundo o Yoga Sútra, é a incapacidade de distinguir entre chitta e Purusha, a consciência e o Ser.

asteya – não roubo. Um dos cinco yamas, os preceitos éticos do Yoga.

Atharva Veda – um dos quatro Vedas. O Atharva Veda é uma compilação análoga ao Rig Veda, porém mais tardia, de caráter mágico e especulativo que poderia ser considerada pré-tântrica.

átman – eu, ánima, alma.

avabhdabhúmikatwa – impossibilidade de perceber a realidade devido à movimentação constante dos

vrittis – os turbilhões da consciência.

avastha – os quatro estados de consciência: vigília, sono, sonho e turíya.

avidyá – não saber. Ignorância, incultura. O maior dos obstáculos ao samádhi, pois é nele que se originam todos os outros, conforme o Yoga Sútra.

avirati – sensualidade.

avyakta – não manifestado.

áyáma – expansão, extensão, dimensão, comprimento, controle.

ayurveda – sistema de medicina baseado no conhecimento vêdico.

Bádarayana – (c. 200 a.C.), fundador do sistema Vedánta, sistematizador do Veda e autor do Brahmá ou Vedánta Sútra.

baddha – ligado, entrelaçado, condicionado.

bahiranga – membros externos do Yoga. São os cinco primeiros estágios do Pátañjala Yoga : yama, niyama, ásana, pránáyáma e pratyáhára, chamados assim por oposição aos internos: dháraná, dhyána e samádhi.

báhya – externo.

bandha – fecho. Contração de órgãos, plexos ou glândulas.

bandha traya – contração tríplice. Exercício de contração da garganta, o abdômen e os esfíncteres, simultaneamente.

bhadra – virtude, virtuoso.

Bhagavad Gítá – o canto do Bem-aventurado, poema épico do século II d.C., inserido no Mahabhárata, escrito em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna onde se expõem o Karma, o Jñána e o Bhakti Yoga.

Bhairava – o terrível, um dos nomes de Shiva mudrá usado para meditar.

Bhairaví – aquela que aterroriza. Outro nomes de Shaktí, a esposa de Shiva.

bhakta – devoto, participante.

Bhakti Yoga – Yoga devocional.

bhastriká – fole. Nome do pránáyáma do sopro rápido.

bháva – amor, sentimento. Inclinação, intenção, existência.

bhávana – concentração.

bhaya – medo.

bheda ou bhedana – atravessar, perfurar.

bherunda – terrível. Pássaro mitológico de duas cabeças. Nome de um mudrá.

bhid – atravessar, perfurar.

bhoga – experiência, gozo.

bhrámára, bhrámárí ou bhrámárín – abelha; nome de um pránáyáma e de um exercício de pratyáhára, retração dos sentidos.

bhrúmadhya drishti – exercício de fixação ocular que consiste em localizar o olhar no ponto entre as sobrancelhas.

bhúcharí – um drishti, exercício de fixação ocular.

bhúmi – objeto de meditação, assunto, caráter, terra.

bhupura – cidadela, o quadrado de linhas de força que circunda alguns yantras, símbolos utilizados para meditação.

bhúta – elemento. Os cinco elementos densos: éter (ákásha), ar (váyu), fogo (agni), água (apas) e terra (prithiví). Também são chamados mahabhúta ou pañchatattwa.

bhútendriya – os órgãos dos sentidos, através dos quais se obtém o conhecimento da realidade. Também designa os dois aspectos de drishya, o mundo que pode ser conhecido.

bíja – semente; nome dos mantras monossilábicos que ativam os centros de força.

bindu – ponto. O centro a partir do qual se expande o Universo. O lugar em que se unem todas as formas de manifestação da Prakriti. Na linguagem tântrica designa o sêmen.

Brahmá – na mitologia, o criador do Universo.

brahmacharya – servidor de Brahmá. Continência, celibato. Um dos cinco yamas do Rája Yoga.

brahmádwára – o ponto pelo qual kundaliní entra na sushumná nádí.

brahmágranthi – nó de Brahmá, primeiro dos três granthis, situado no múládhára chakra.

Brahman – o mesmo que Purusha, o Ser, a Consciência Suprema.

Brahmane ou brahmana – membro da casta sacerdotal.

Brahmana – tratados rituais escritos pelos sacerdotes vêdicos entre 1000 e 800 a.C. que contêm o mito genésico de Prajápati, o homem primordial.

brahmánádí – canal de Brahmá. Outro nome da shushumná nádí, que corre ao longo da coluna vertebral.

brahmárandhra – orifício de Brahmá. Ponto sobre o qual o yogin exerce samyama, no centro do cérebro ou no tálamo. Enquanto alguns autores consideram este vocábulo sinônimo de shushumná, para outros ele é a extremidade superior desta nádí.

buddha – acordado, desperto.

buddhi – inteligência universal, intuição linear, intelecto supra individual.

chaitanya – consciência.

chakra – roda; centros de força do corpo sutil.

chakshu – visão, olhos.

chakshu dhauti – purificação dos olhos. Ablução.

chandra – lua.

chandrabheda – nome de um pránáyáma.

chela – discípulo.

chin – nome de um mudrá utilizado durante as práticas de pránáyáma, muito parecido ao jñána mudrá.

chit – perceber, conhecer, pensar, recordar, descobrir.

chitriní – terceiro invólucro da sushumná nádí.

chitta – o corpo consciente, o psiquismo, a consciência. Segundo a metafísica sámkhya, manas, a mente como sede dos pensamentos e das idéias é apenas um dos componentes que constituem a consciência (chittabhúmi).

chittabhúmi – os elementos constituintes da consciência, a própria vida consciente.

chittavritti – as instabilidades da consciência,

dakshina ou dakshinah – direito.

Dakshina Tantra – tantrismo branco, ou da mão direita.

dama – controle dos sentidos.

darshana – ponto de vista. Nome genérico das seis escolas filosóficas aceitas pelo hinduísmo ortodoxo. Os darshanas apresentam diferentes interpretações da realidade, tendo como objetivo comum o acesso à liberdade. Os darshanas formam três pares complementares: Yoga e Sámkhya, Nyáya e Vaisheshika, e Mímánsá e Vedánta.

dáurmanasya – desespero.

deva ou devatá – ser de luz, divindade ou arquétipo de identificação pessoal.

devadatta – presente dos deuses. Um dos pránas, ares vitais, responsável pelo bocejo.

devanágarí – escrita dos deuses; o alfabeto sânscrito.

deví – deusa, rainha, nome de Durgá ou Saraswatí.

dháraná – concentração que antecede o estado de meditação, sexto anga do Yoga de Pátañjali.

dháraní – o suporte sobre o qual se pratica samyama.

dharma – justiça, lei humana ou social, complementar da noção de karma, lei universal de causa e efeito.

dhauti – grupo de técnicas de purificação das mucosas e os órgãos internos.

dhyána – meditação através da detenção da turbulência da consciência na contemplação de um objeto.

dhyánásana – nome de um grupo de ásanas para meditação.

dhyánasthána – suporte para a meditação.

dívya – adjetivo de deva, divino. Designa o homem mais altamente qualificado para as práticas do tantrismo.

drashta – testemunha, consciência.

drishti – grupo de exercícios de fixação ocular.

drishya – possui três sentidos diferentes: introspeção, consciência, ou o mundo sensível.

drsh ou drs – ver.

dugdha neti – kriyá de limpeza das fossas nasais que se faz utilizando leite morno.

duhkha – dor, miséria existencial, mediocridade, conformismo, fraqueza. Um dos obstáculos ao samádhi.

duhkha traya – tripla miséria existencial, ponto de partida do Sámkhya: o sofrimento próprio, aquele provocado por outrem e a miséria advinda de circunstâncias externas.

Durgá – um dos nomes de Shaktí, a esposa de Shiva.

dwa ou dwi – o número dois.

dwaita – filosofia dualista: o Sámkhya e o Tantra.

dwesha – aversão, desagrado. Uma das aflições humanas (kleshas).

eka – o número um.

ekagra – atenção concentrada em um ponto determinado.

ekágratá ou ekagrya – grupo de técnicas de fixação da atenção em um ponto só.

gandha – cheiro.

gándhárí – canal da bioenergia que vai desde o centro do corpo sutil, chamado kanda, até o olho esquerdo.

gandharva – ser celestial, da coorte de Shiva.

Ganesha – na mitologia, o filho de Shiva, guardião das portas, senhor dos obstáculos e chefe do exército de Shiva. Ganesha é a personificação dos mistérios do tantrismo, senhor da sabedoria e da prosperidade.

Gangá – o rio Ganges. Na mitologia, a deusa do rio homônimo.

garbha – embrião, feto, criança.

gáyatrí – mantra de 24 sílabas: Om bhur bhuva swáhá tat sávitur varenyam bhargo devasya dhimahi dhyo yo nah prachodayat.

Gheranda – Mestre de Yoga, autor do Gheranda Samhitá, texto onde se descrevem as técnicas do Hatha Yoga.

ghrána – olfato.

gítá – canção.

Gorakshanatha – discípulo de Matsyendranatha e criador do Hatha Yoga (pressupõe-se que tenha vivido e ensinado entre 900 e 1100 d.C.). Foi o autor do primeiro tratado sobre o tema, hoje perdido.

Gorakshasataka – texto hindu.

graha – órgãos de apreensão: as mãos.

granthí – nó.

guna – atributo. Os estados da realidade, as três formas de manifestação que assume Prakriti, definindo por interação o Universo manifestado. Os gunas são três: tamas, rajas, e sattwa.

gunatraya – o conjunto dos três gunas, as modalidades assumidas pela Prakriti (Natureza): tamas (inércia, inatividade), rajas (ação, movimento) e sattwa (harmonia, equilíbrio).

gupta – secreto.

guru – mestre.

Ham – som semente do vishuddha chakra.

hamsa – cisne. Designa o princípio vital da respiração. Ver so ham.

hastijihvá – uma das principais nádís, vai desde o kanda, centro do corpo sutil, até o olho direito

Hatha Yoga–  método de Yoga tântrico baseado no esforço físico extremo.

himsá – violência.

hrid – coração, a região do peito. Saudação com a mão no peito.

hrid dhauti – purificação da região do coração.

ichchha – força de vontade.

idá – um dos principais canais energéticos do corpo sutil, de polaridade lunar ou negativa. Ascende ao longo da coluna, desde o múládhára chakra até a narina esquerda.

indriya – faculdades dos sentidos: audição, tato, visão, paladar e olfato.

Íshvara – senhor. Modelo arquetípico do praticante de Yoga. Nas interpretações tardias do Sámkhya e do Yoga Sútra Íshvara adquire o status de deus supremo. Na metafísica tântrica, Íshvara aparece identificado com o bindu, o ponto a partir do qual se expande o Universo.

Íshvara pranidhána – quinto preceito (niyama) do Yoga, a entrega a Íshvara, o modelo exemplar. Íshvara pranidhána é entregar as ações e seus frutos a uma vontade superior à própria.

Íshvarakrishna – autor do Sámkhya Káriká (100 ou 200 d.C.), principal e mais antiga obra conhecida da escola Sámkhya, embora este sistema filosófico já existisse muito antes dele.

jala -o elemento água.

jala vasti – lavagem intestinal com água.

jalándhara – contração da garganta, aproximando o queixo da parte superior da depressão jugular, na base do pescoço.

japa – repetição verbal ou mental de um mantra sem melodia.

játi – nascimento, herança.

jaya – vitória, interjeição de saudação.

jihva bandha – contração da língua no palato mole.

jíva – homem, ser vivo.

jívanmukta – o liberado vivo, aquele que alcançou a libertação pelo Yoga.

jñána – conhecimento. Nome de um mudrá.

jñánendriya – as cinco faculdades sensoriais ou órgãos da percepção: olhos (chakshu), ouvidos (shrotra), nariz (ghrána), língua (rasana) e pele (spárshana).

jyoti – luz.

jyotirdhyána – técnica de meditação na luz.

kaivalya – isolamento, libertação através do samádhi.

kali – conflito, ferro.

Kálí – negra, a devoradora do tempo (kála). Uma das manifestações de Shaktí, esposa de Shiva.

kali yuga – era dos conflitos. Momento atual da Humanidade.

kalpa – preceito, dissolução ou aniquilação do mundo, um dia na vida de Brahmá, período de 4:320.000 anos.

kanda – centro do corpo sutil, ponto de partida das nádís, localizado no abdômen.

kapálabháti – crânio brilhante. Nome de um pránáyáma, também catalogado como kriyá.

kapha – humor aquoso, fleuma. Um dos três humores corporais da medicina ayurvêdica.

Kapila – codificador do Sámkhya e autor do Sámkhya Sútra.

karana – os órgãos relacionados ao conhecimento, vontade ou emoção. Também significa causa, conduta, atitude.

karana sháríra – corpo etérico.

karma ou karman – ação, fazer. O resultado das ações, a lei de causa e efeito. A ação e a reação configuram dois aspectos da mesma realidade. A noção de karma não nada tem a ver com fatalismo ou determinismo (embora o efeito esteja potencialmente contido na sua causa): muito pelo contrário, é uma realidade que pode ser modificada, uma sorte de destino maleável.

karma kriyámana – o karma gerado no momento presente.

karma sañchita – o karma acumulado, o saldo das ações de um indivíduo.

karma prarabdha – o karma que está sendo aniquilado no presente.

Karma Yoga – Yoga da ação desinteressada, que visa à realização através da ação, sem considerar o seu resultado.

karmaphala – resultado das ações.

karmashaya – o conjunto das impressões, ações, desejos e pensamentos passados.

karmendriya – os cinco órgãos de ação: voz (vák), mãos (páni), pés (páda), órgãos reprodutores (upashta) e excretores (páyu).

karna – ouvido, orelha.

Kaula – a mais célebre escola de tantrismo, fundada por Matsyedranatha por volta do ano 900 d.C.

kaya – corpo.

kevala kúmbhaka – retenção pura, sem inspiração ou exalação. O kêvala kúmbhaka acontece no estágio mais avançado do Yoga, quando a respiração cessa, sem púraka ou rêchaka.

khecharí – um mudrá que consiste em obstruir a passagem do ar pela garganta, voltando a língua para cima e para trás.

kírtan ou kírtana – vocalização de mantras com melodia.

klesha – dor, aspecto doloroso da consciência. As cinco fontes de miséria existencial: a incultura, o egotismo, a exaltação das paixões, a aversão injustificada e o apego à vida.

kosha – corpo, invólucro.

krikára – um dos ares vitais menores. Regula a tosse e o espirro.

Krishna – negro. Um avatara, encarnação de Vishnu.

kriyá – atividade. Designa os processos de purificação interna do organismo.

Kriyá Yoga – um ramo de Yoga. Segundo o Yoga Sútra, consiste em fazer tapas, swádhyáya e Íshvara pranidhána.

kuhú – uma nádí. Inicia no kanda, na região do abdômen, indo até os órgãos sexuais.

kula – família. No tantrismo, designa uma linha iniciática.

Kularnava Tantra – texto tradicional do tantrismo vámachara, da escola Kaula.

kúmbhaka ou kúmbha – cântaro, jarro de água. A retenção da respiração com os pulmões cheios de ar.

kunda – o lugar onde reside kundaliní, na base da espinha dorsal, no múládhára chakra.

kundaliní ou kundalí – aquela que está enroscada como uma serpente. A forma na que a Shaktí primordial está presente no ser humano: a energia ígnea que permanece em estado latente na base da coluna e se manifesta através da pulsação sexual.

Kundaliní Yoga – ramo de Yoga baseado no despertar do poder serpentino.

kúrma – tartaruga. Um dos ares vitais, que controla o pestanejar.

kúrmanádí – a região do coração.

laghima – poder de levitação.

Lam – bíja mantra que ativa o múládhára chakra.

láyá – dissolução.

Laya Yoga – um dos ramos do Yoga, baseado no despertar da energia latente, kundaliní.

lingam ou linga – signo, falo. Símbolo de Shiva, o poder gerador masculino. O lingam não se relaciona apenas com a sexualidade, mas também com a força vital que se manifesta nas práticas.

linga sháríra – corpo etérico.

madhya – centro, meio.

madhyama – intermediário, médio, central.

Mahabhárata – ‘O Grande (Combate) dos Bháratas’. Épico do hinduísmo em 100.000 versos ou shlokas, que conta o combate travado entre os Pándavas e seus primos Kauravas pelo reino de Bhárata.

Mahábháshya – ‘O Grande Comentário’ da gramática de Pánini. Texto atribuído a Pátañjali.

mahabhúta – os grandes elementos da Natureza, cuja manifestação é o mundo físico: éter, ar, fogo, água e terra.

mahat – o grande, a massa energética indiferenciada, na teoria dos tattwas, primeiro princípio que emana da Prakriti.

mahayuga – o conjunto das quatro eras ou yugas: krita, treta, dwápara e kali.

mahima siddhi – que consiste em aumentar de tamanho conforme o próprio desejo.

maithuna – união sexual tântrica, matrimônio. Coito ritual no qual os parceiros simulam a união cósmica entre Shiva e Shaktí.

málá – colar de 108 contas que se usa para contar mantras.

manas – pensamento, cognição, o aspecto cognitivo da consciência. Mente, desejo.

mandala – diagrama geométrico empregado para a prática de meditação.

manipura – cidade da jóia, nome do terceiro chakra, centro de força situado na altura do plexo solar.

manomáyákosha – corpo ilusório feito de pensamento. O corpo mental, quarto veículo de manifestação do homem.

mantra – instrumento do pensamento. Vocalização de sons e ultra-sons que se faz com a finalidade de disciplinar a atividade consciente. Há mantras que constituem fórmulas de poder, isto é, que detêm a essência de certas energias que o yogin manipula nas práticas.

mantra chaitanya – consciência mântrica.

mantrin – aquele que faz mantra.

mátra – átomo. Unidade de contagem usada para medir o ritmo no pránáyáma.

mátriká – mãe. Os fonemas do alfabeto sânscrito.

Matsyendranatha – senhor dos peixes, nome do fundador da escola Kaula e mestre de Gorakshanatha. Viveu entre os séculos IX e XII d.C.

mauna – jejum verbal.

merudanda – a coluna vertebral.

Mímánsá ou Púrva Mímánsá – exame, forma, regra. Nome de uma das seis escolas tradicionais da ortodoxia hindu. O Mímánsá não é um sistema filosófico propriamente dito, mas um dogmático sistema de interpretação das escrituras vêdicas, que versa sobre como devem ser feitos os rituais e as cerimônias religiosas.

moksha – libertação, descondicionamento do homem.

mud – raiz da palavra mudrá, que significa magia, encanto ou satisfação.

mudrá – gestos manuais. Em alguns textos, principalmente de Hatha Yoga, pode ser sinônimo de ásana ou bandha. Também designa a Shaktí, parceira tântrica nas práticas de maithuna.

mukta – liberado. Aquele que atingiu a libertação através do Yoga.

múla – raiz, origem, base, início.

múla bandha – contração dos esfíncteres do ânus e da uretra.

Múla Prakriti – a Natureza Primordial.

múládhára – centro de força situado na base da coluna vertebral, na região sacra.

muni – silencioso. Asceta.

múrchchhá – desvanecimento. Nome de um pránáyáma.

náda – som, sonoridade, vibração sutil. O som que o yogi ouve ao meditar na vibração interior.

Náda Yoga – um ramo do Yoga baseado na vibração sutil dos mantras.

nádí – rio, torrente. Canais do corpo sutil pelos quais flui a bioenergia.

nádí shodhana – purificação das nádís. Um pránáyáma de respiração alternada.

nága váyu – ar vital responsável pelo eructo e o soluço.

namah – interjeição de saudação.

namastê – interjeição de saudação.

Náráyana – aquele que dorme nas águas causais, o conservador da vida, Vishnu.

naságra ou nasikagra drishti – exercício ocular que consiste em fixar firmemente o olhar na ponta do nariz.

nauli – auto-massageamento abdominal com isolamento do músculo reto. Técnica de purificação das mucosas.

neti – lavagem das fossas nasais utilizando água morna e salgada ou uma sonda de borracha. Também significa não.

nidrá – sono.

nirálambana samádhi – samádhi sem apoio. Ver asamprájñata samádhi.

nirañjana – sem falsidade. absolutamente puro, aquilo que é inatingível pelos gunas.

nirbíja samádhi – samádhi sem semente. Ver asamprájñata samádhi.

nirguna – sem atributos. O Purusha.

nirodha – controle, supressão, parada.

nirvichárá samádhi – samádhi supra reflexivo, um tipo de samprájñata samádhi, estado de hiperconsciência em que o yogin assimila de forma ideal o objeto da contemplação.

nirvi – nada.

nirvitarká samádhi – o samádhi não argumentativo. Grau de hiperconsciência no qual o objeto de meditação se capta direta e integralmente, sem o auxílio de associações mentais.

nishedha – lei, negação, exceção. Nome de um mudrá.

nivritti – satisfação, repouso. Estado de emancipação dos vrittis, as instabilidades que dão corpo à vida consciente.

niyama – observância. As cinco prescrições de conduta do Yoga Clássico: purificação (shauchan), contentamento (santosha), esforço sobre si próprio (tapas), estudo de si mesmo e das Escrituras (swádhyáya) e consagração ao arquétipo ideal (Íshvara pranidhána).

Nyása – ritual tântrico no qual se procede à imposição de certas energias em diferentes partes do corpo.

Nyáya – método, forma. Escola filosófica hindu (darshana) que se ocupa da lógica formal e da teoria do conhecimento.

ojas – poder psíquico concentrado, energia sexual sublimada.

Om – símbolo do hinduísmo e do Yoga, é a vibração primordial do Universo, o mais poderoso dos mantras. É o som semente (bíja mantra) que ativa o ájña chakra.

omkára – a sílaba Om, traçada em devanágarí.

padma – lótus. Outro nome dos chakras.

padmásana – nome de um ásana de meditação.

pañcha makára – ritual dos cinco m ou dos cinco makára. As práticas do Kaulachara Tantra: mamsá, madhya, matsya, mudrá e maithuna, que utilizam carne, vinho, peixe, grãos e o ato sexual.

pañchágni – cinco fogos, prática de tapas, esforço sobre si próprio que consiste em meditar rodeado de quatro fogueiras; o quinto fogo é o Sol no zênite.

pañchatattwa – os cinco elementos: éter, fogo, ar, água e terra. Outro nome do pañchamakára, o ritual de transgressão do tantrismo Vámachara, que inclui a ingestão de bebidas embriagantes e carnes, além da união sexual com orgasmo.

páni – mãos ou braços.

para-shabda – som primordial.

Paramátman – o Eu Supremo.

parámpará – linha sucessória, herança. Designa o conhecimento transmitido de mestre a discípulo, geração após geração.

parigraha – cobiça.

parináma – evolução.

pashu – animal, ligado. Homem condicionado. Na linguagem tântrica, o homem profano, escravo e conformista, ignorante da sua própria dimensão.

Pátañjala – Yoga Rája Yoga ou Yoga de Pátañjali.

Pátañjali – codificador do Yoga Clássico, autor do Yoga Sútra. Calcula-se que tenha vivido entre os séculos II a.C. e IV d.C.

páyu – órgãos excretores.

pingalá – canal de circulação de energia no corpo sutil, de polaridade positiva ou solar. Sobe ao longo da coluna, desde o múládhára chakra até a narina direita.

pradípiká – luz, iluminar.

Prajápati – o Senhor das Criaturas. Nos mitos genésicos dos textos chamados Brahmanas, o homem primordial, criado através de ascese (tapas).

Prakriti – a Natureza, a energia primordial, causa produtora.

prána – bioenergia, energia vital, respiração, alento.

prána – váyu ar vital localizado na região do peito.

pránamáyákosha – invólucro do corpo sutil feito de bioenergia.

pránana – alento, respiração.

pranava – veículo do prána. Nome do mantra Om.

pránáyáma – expansão e domínio da energia vital através de técnicas respiratórias. Quarto anga do Yoga de Pátañjali.

prashwása – expirar.

pratyáhára – retração dos sentidos, quinto anga do Yoga de Pátañjali.

prithiví – o elemento terra.

púnya – virtude, mérito, bondade.

púraka – o ato de inspirar.

Purusha – homem, na cosmogonia Sámkhya, o Ser, o princípio masculino, imutável e luminoso que a metafísica do Tantra identifica com Shiva.

rága – apego, paixão, raiva.

Rája Yoga – o Yoga Clássico, codificado por Pátañjali.

rajas – movimento, mobilidade, ação, paixão. Um dos três gunas, princípios que definem por interação todo o existente.

rajásico – que possui a natureza de rajas.

Ram – bíja mantra, som semente que ativa o manipura chakra.

Rámáyána – Feitos de Ráma, épico transcrito por Válmiki entre os séculos IV e III a.C., quem lhe deu a forma atual, embora a datação da obra seja desconhecida e certamente muito mais antiga. Um dos clássicos do hinduísmo, narra as aventuras de Ráma para resgatar a sua esposa Sítá das mãos do demônio Rávana, seu raptor.

rasa – sabor, sentimento, paixão.

rasana – paladar, língua.

rati – gozo, amor.

rechaka – o ato da exalação. Uma das fases do pránáyáma.

Rig Veda – o Veda das Estrofes. O documento literário e religioso mais antigo da Humanidade. Primeiro dos quatro Veda, livros sagrados do hinduísmo, é uma compilação de mais de mil hinos, que forma uma espécie de antologia recolhida entre as antigas famílias sacerdotais. Segundo estudiosos como G. Tílak e H. Jacobi, esta obra nasceu antes do ano 4000 a.C., havendo-se submetido às diversas variações da língua ao longo do tempo.

rishi – aquele que vê. Sábios ascetas dos tempos Vêdicos que receberam o conhecimento revelado do Shruti, as escrituras do hinduísmo.

rudragranthi – nó de Rudra, terceiro granthi, localizado no ájña chakra, no intercílio, que constitui uma espécie de válvula de segurança para o despertamento da energia kundaliní.

rudráksha – lágrima de Shiva, uma semente com a qual se fazem os japamálá, colares de 108 contas utilizados para contagem de mantra.

rúpa – forma, cor. Um dos tanmátras, as qualidades sensíveis.

sabíja samádhi – ênstase com semente. Ver samprájñata samádhi.

sádhaka – praticante de Yoga.

sádhana – prática cotidiana.

sagarbha pránáyáma – exercício respiratório feito com acompanhamento mental de mantra.

saguna – com atributos, qualificado, dotado de qualidades.

sahásrara padma – coronário, centro de força localizado no alto da cabeça, chamado lótus das mil pétalas por causa das 972 nádís que emanam dele.

sakshi – aspecto da consciência individual onde esta permanece como a testemunha silenciosa.

sálambana samádhi – estado de megaconsciência com apoio. Outro nome do samprájñata samádhi.

sam ou sama – junto, igual.

Sama Veda o Veda das melodias. Recompilação de mantras sagrados do Rig Veda, que se fazem acompanhados de notação musical.

samádhi estado de hiperconsciência, objetivo final do Yoga. Em verdade, mais do que um estado, o samádhi é uma área de conhecimento que abrange diversos graus de hiperconsciência.

samána váyu – um dos cinco ares vitais, formas que assume a energia ao circular pelo organismo, localizado na parte média do tronco. Facilita a assimilação do prána e regula a digestão.

samápatti – logros, conquistas. Completa absorção da consciência no samádhi, quando o contemplador, o objeto contemplado e o ato da contemplação tornam-se um só.

samhitá – coleção, compilação. O conjunto dos quatro Vedas.

Sámkhya – discernimento, número, nome de um darshana, sistema filosófico especulativo hindu.

Sámkhya Káriká – ‘as Estrofes do Discernimento’, texto chave da cosmogonia dualista sámkhya, atribuído a Íshvarakrishna.

Sámkhya Sútra ou Sámprachavana – tratado sobre Sámkhya, atribuído ao sábio Kapila, fundador desta escola de filosofia.

samprájñata samádhi – estado do hiperconsciência diferenciado ou com cognição, que se exerce sobre um objeto exterior. Uma das variedades de samádhi, o estado de megaconsciência. O samprájñata samádhi compreende quatro formas diferentes de ênstase: savitarká, nirvitarká, savichárá e nirvichárá.

samsára – é a existência condicionada. Designa a experiência do mundo como algo instável, contingente e instável.

samskára – as raízes profundas dos condicionamentos humanos, de caráter kármico e inato. São as tendências subconscientes, de caráter inato e hereditário. O samskára perpetua-se através das gerações por herança histórica, cultural, ou étnica, afetando todos os indivíduos.

samyama – técnica tríplice: concentração (dháraná), meditação (dhyána) e hiperconsciência (samádhi), objetivo do Yoga.

sándhabháshya – linguagem intencional, estilo de prosa em forma de enigma na qual estão redigidos alguns textos antigos.

sanga ou sangam – reunião. Ponto de encontro dos três rios sagrados da Índia: o Gangá, o Yamuná e o Saraswatí; por analogia, é também a confluência das três principais nádís, idá, pingalá e sushumná, na altura da garganta.

santosha – contentamento, alegria. Um dos cinco niyamas, observâncias de conduta do Rája Yoga.

sásmita samádhi samyama – sobre o buddhi, o mais elevado grau de samprájñata samádhi.

sat – ser, verdade, realidade.

satchakra – o conjunto dos principais chakras, centros de força do corpo energético.

satchidánanda – ser-consciência-beatitude.

sattwa – equilíbrio, leveza, bondade. Um dos três gunas, princípios que interagem na manifestação da Natureza.

sáttwico – que possui a natureza de sattwa, harmonioso, equilibrado.

satya – verdade, veracidade, um dos cinco yamas do Rája Yoga.

savichárá samádhi – estado de iluminação reflexiva ou com diferenciação. Uma das modalidades de samádhi, que se caracteriza pelo conhecimento das propriedades manifestadas no objeto de meditação.

savitarká samádhi – ênstase nocional. Uma das modalidades da hiperconsciência, na qual se exerce contemplação sobre um objeto denso.

shabda – som interior supersutil, palavra, mantra.

shabda jñána – conhecimento do som.

shabda-brahman – o som do Absoluto, que se percebe no estado de samádhi.

shaiva – relativo a Shiva. Adepto do shivaísmo.

shakta – corrente devocional do tantrismo.

Shaktí – esposa, energia, poder. Nome da consorte de Shiva. Na cosmogonia tântrica eqüivale à Prakriti, o princípio feminino, dinâmico e gerador.

Shámbhava – um dos nomes de Shiva.

shámbhaví –  fixação ocular no ponto do intercílio.

shámbhaví – siddhi clarividência.

shanka prakshálana – técnica de desintoxicação e limpeza interna que se faz ingerindo água salgada e expelindo-a pelos intestinos.

Shankaracharya – teólogo malabar (788-820 d.C.), apologista e defensor do sistema Vedánta.

shánti – paz.

sháríra – corpo, invólucro.

Shashti Tantra – um tratado de Sámkhya.

Shastra – repetição, escrituras sagradas dos hindus. Tratado ou conjunto de textos de uma determinada escola filosófica ou científica.

shat karma – as seis ações, o grupo das técnicas de purificação do corpo físico.

shauchan – limpeza, purificação, um dos cinco niyamas, prescrições de conduta do Yoga Clássico.

shava – cadáver.

shavásana – posição de descontração na qual se pratica yoganidrá.

shíta – murmúrio, frio, frescor.

shitálí – refrescante. Nome de um pránáyáma.

shítkárí – frescor, frio, nome de um pránáyáma.

Shiva – ‘o Benfeitor’. Criador mitológico do Yoga e arquétipo do praticante. Na cosmogonia do tantrismo corresponde ao Purusha do Sámkhya, o Si, o Self.

Shiva Swárodhaya – texto que descreve a fisiologia sutil do corpo, escrito em forma de diálogo entre Shiva e sua consorte.

shivalingam ou shivalinga – falo de Shiva, símbolo do princípio gerador masculino. Nome de um mudrá.

shodhana purificação. Nome de um pránáyáma.

shrotra – audição.

Shruti – aquilo que é ouvido, revelação. Tradição oral vêdica, transcrita entre 1400 e 400 a.C. Os textos que fazem parte do Shruti incluem os Vedas, os Brahmanas, os Áranyakas e as treze primeiras Upanishads.

shuddhi – purificação.

shúdra – quarta casta, que inclui camponeses, artesãos e servos.

shúnya – ou shúnyata vazio.

shúnyaka – retenção com os pulmões vazios.

shwása – inspirar.

siddha – perfeito, o detentor dos siddhi, poderes paranormais.

siddhásana – uma posição de meditação.

siddhi poderes paranormais advindos do estado de megaconsciência, que o yogin adquire ao progredir no sádhana. São formas diferentes de relacionar-se com as leis da Natureza.

sloka – estrofes de quatro ou seis versos nas quais estão redigidos os épicos.

Smriti – ‘memória’. Toda a produção literária posterior aos textos revelados do Shruti (a partir de 500 a.C. até o século V d.C.: o Vedánga (Membros do Veda: fonética, gramática, métrica, etimologia, astronomia e ritual), os Ágamas, os Puránas, o Manuvadharmashástra (Leis de Manu), as Upanishads tardias, et coetera.

so ham – eu sou isso. O ajapa japa, mantra que corresponde ao som da respiração, feito de forma inconsciente quando se respira.

spársha – toque. Jñánendriya do tato.

spárshana – tato.

steya – roubo.

sthirasukham – firme e agradável. Definição que Pátañjali deu aos exercícios físicos do Yoga.

sthúla – denso, grosseiro.

sthúla sháríra – corpo físico denso.

súkshma sháríra – corpo sutil.

súrya – Sol.

súryabheda – ou súryabhedhana passar através do Sol. Nome de um pránáyáma.

sushumná – a mais importante nádí do corpo sutil, no interior da espinha vertebral. Vai desde o múládhára chakra até o brahmárandhra, no centro do crânio. Habitualmente, esta nádí não conduz a bioenergia, apenas entra em atividade no momento do despertar da força kundaliní.

sushuptyávastha – estado de consciência relativo ao sono sem sonhos.

sútra – cordão, fio, aforismo. É uma prosa concisa e enigmática, na que está escrita uma parte dos textos do hinduísmo.

swa – si próprio, alma, força vital.

swadharma – sua própria lei de ação.

swádhisthána – fundamento de si próprio. O segundo dos chakras, centros de força localizados ao longo da coluna vertebral, quatro dedos abaixo do umbigo.

swádhyáya – estudo de si próprio e das escrituras. Um dos cinco niyamas, prescrições éticas do Yoga de Pátañjali.

sváhá – glória! interjeição utilizada no sacrifício vêdico.

Swami – mestre de si mesmo.

swápna – mente subconsciente, sonho.

swápnávastha – estado de consciência durante o sonho.

swára – fôlego, fluxo do alento pelas narinas. O ritmo adequado para a prática de pránáyáma. Também significa som, tom.

swarodhaya – início do swára (fluxo da respiração) por uma narina.

swarúpa – com sua própria forma.

swástika – auspicioso, cruz, encruzilhada de caminhos. Nome de um mudrá.

tamas –  imobilidade, inércia. Um dos três gunas, os atributos da Natureza.

tamásico – que possui a natureza de tamas.

tan – estender, espargir.

tanmátra – partículas prânicas, núcleos energéticos infinitesimais que determinam e qualificam a realidade. Correspondem aos elétrons. Definem as cinco qualidades do mundo sensível, fundamento das diversas manifestações da energia: som, toque, forma, sabor e odor.

Tantra – tecido, urdidura. Pode ser traduzido como espargir o conhecimento. Sistema filosófico matriarcal e sensorial que empresta suas principais premissas do Sámkhya e do Yoga. Em outra acepção, um Tantra é um manual que expõe uma doutrina.

tantrika – relativo ao Tantra.

tap – arder, brilhar, queimar.

tapas – calor, ascese, auto-superação, esforço sobre si próprio. Um dos cinco niyamas do Yoga Clássico.

tará ou táraka estrela – Uma técnica de samyama que se faz concentrando-se sobre a imagem de um corpo celeste.

tattwa – princípio, nível de realidade. Na cosmogonia Sámkhya, designa os níveis em que se articula a manifestação de Prakriti, a Natureza.

tejas ou agni – o elemento fogo.

tra – instrumento.

trátaka –  exercícios de fixação ocular.

traya –  tríplice.

trayí tríade – , o conjunto dos três Vedas: Rig, Yajur e Sama. A tradição ortodoxa não considera o Atharva um Veda propriamente dito, já que trata sobre especulação e magia pré-tântrica, o que o afasta do conteúdo ritual dos outros três.

triguna –  o conjunto dos três gunas (níveis de realidade): tamas, rajas e sattwa.

trikuti – o ponto entre as sobrancelhas.

triloka –  os três mundos: o celeste, o terrestre e o subterrâneo ou infernal.

trimurti –  trindade. Nome de um mudrá.

triveni – o ponto de confluência das três principais nádís, na altura da garganta.

turíya ou turíyávastha – quarto estado de consciência, situado além dos estados habituais (vigília, sono e sonho).

udána – sub-prána localizado na cabeça e no pescoço.

uddiyana – caminho ascendente, técnica de contração e massageamento dos órgãos abdominais.

ujjayí – um pránáyáma.

ujji – vitória, vitorioso.

Upanishad – sentar aos pés do Mestre. Coleção de textos do hinduísmo, alguns dos quais falam sobre o Yoga. Datam do período compreendido entre 700 e 500 a.C.

upashta –  órgãos reprodutores.

úrdhwaretas – aquele que sublimou seu sêmen (bindu), transmutando-o em energia sutil.

uttama – superior. Respiração alta ou subclavicular.

Uttara Mímánsá – outro nome do sistema Vedánta.

Vachaspati Misra – comentarista do Yoga Sútra e do Sámkhya Káriká (s. IX dC).

vairágya – desapego.

Vaisheshika – um darshana ortodoxo, escola de filosofia que elaborou uma teoria atomista segundo a qual o Universo é apenas uma combinação fortuita e mecânica de átomos.

vajriní ou vajra – uma nádí, canal de energia que corre pelo interior da sushumná, ao longo da coluna vertebral.

vák –  palavra. O karmendriya da fala, emissão da voz.

Vam – bíja mantra do swádhisthána chakra.

váma ou vámah – esquerdo.

Vámacharatantrika – tantrismo negro, ou da mão esquerda.

varnamálá –  o alfabeto.

Váruna – nome do deus vêdico dos mares; por extensão, o próprio oceano. Região corporal correspondente ao elemento água, na altura da garganta.

váruni ou váruna – uma das principais nádís, situada entre kuhú e yasháswiní.

vásaná – odor, desejo, ignorância. Impressões subconscientes, tendências ou disposições que condicionam o homem.

vasti – lavagem que inclui dois métodos para a purificação dos intestinos: um feito com água, jala vasti e outro com ar, sthala vasti.

váta ar, vento, respiração.

vátasára – um dos quatro tipos de dhauti, que consiste na limpeza dos órgãos internos utilizando ar.

Váyu – vento, o elemento ar. No Rig Veda, deus do vento. As cinco formas que a bioenergia assume ao circular pelo organismo. Nome de um mudrá.

Veda – ‘aquilo que foi visto’, a forma de literatura mais antiga da Índia: são textos sânscritos revelados que constituem o embasamento da tradição hindu. Os Vedas são quatro: Rig, Yajur, Sama e Atharva, datando a sua formação do quarto milênio aC.

Vedánta – a culminação do Veda. Escola de filosofia que propõe a interpretação dos Vedas e as Upanishads como meio para adquirir conhecimento metafísico sobre a verdadeira natureza da alma.

vichárá – deliberação, razão, questionamento, dúvida. Designa dois tipos de samádhi (estado de hiperconsciência). Ver savichárá e nirvichárá samádhi.

Vijñánabhikshu – um dos comentadores do Yoga Sútra de Pátañjali, do século XIV dC, autor do Tattwa Vaisháradí.

Vijñánamáyakosha – corpo sutil feito de conhecimento. É o intuicional superior.

vikshepa – dispersão, confusão. Os nove obstáculos ao samádhi: doença, apatia, dúvida, negligência, indolência, noções erradas, apego ao prazer, volubilidade e fracasso momentâneo.

viloma – inverso, contrário; nome de um respiratório.

viparíta  – invertido.

viparyaya –  conhecimento errôneo; um dos obstáculos ao samádhi.

víra – herói. O iniciado no tantrismo que se caracteriza pela sua coragem ou qualificação viril. Às vezes, é sinônimo de kaula.

Vishnu – na mitologia purânica, o deus conservador da criação.

vishnugranthi – nó de Vishnu, granthi situado no anáhata chakra, centro de energia do plexo cardíaco.

vishuddha chakra – grande purificador, centro de força localizado no plexo laríngeo, na área da garganta.

Vishwasára Tantra – texto do hinduísmo onde se expõe a visão tântrica do Universo.

viveka – discriminação.

vritti – instabilidade, movimento, turbilhão, idéia, modificação, turbulência, vórtice. A atividade consciente.

vyána – o ar vital que regula a distribuição dos outros quatro no organismo.

yajña – sacrifício, prática de Yoga.

Yajur Veda – o Veda das fórmulas. Um dos quatro Veda: é uma compilação de regras litúrgicas com um comentário em prosa.

Yam – bíja mantra do anáhata chakra, o chakra cardíaco.

yama – literalmente, controle, refreamento. As cinco prescrições de conduta, primeiro anga do Rája Yoga.

yantra – instrumento que serve para reter. Símbolo ou diagrama utilizado na prática de meditação.

yasháswiní – uma das principais nádís, que vai desde o centro do corpo sutil, chamado kanda, até o ouvido esquerdo.

Yoga – união. ‘A unidade da respiração, a consciência e os sentidos, seguida pela aniquilação de todos os conceitos: isso é o Yoga.’ Maitrí Upanishad, VI:25.

Yogabháshya – o mais célebre comentário do Yoga Sútra, atribuído a Vyása.

yogadanda – bastão de meditação, utilizado nas práticas para interromper o fluxo de prána por idá e pingalá e forçá-lo em direção ao múládhára chakra.

yoganidrá – sono do yogin. Estado de consciência que se situa entre o sono profundo e a meditação.

Yogapáda – a senda do Yoga.

yogin ou yogi – praticante de Yoga.

yoginí – praticante de Yoga de sexo feminino.

yoni – vulva, órgão gerador feminino. Nascimento, origem, lar, raça.

yonilinga – a união do princípio feminino com o masculino.

yuga – idade, era cósmica. Ciclo completo de nascimento, vida e destruição do Universo. As eras são quatro: krita (de ouro), treta (de prata), dwápara (de bronze) e kali (de ferro). No final destes quatro ciclos acontece o mahapralaya, a destruição final do Universo.

yuj ou yug – unir, atrelar, juntar. Raiz da palavra Yoga.

yukta  – unido. Aquele que atingiu a libertação pelo samádhi.

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