Nāḍīśodhana – A respiração alternada

Nāḍīśodhana significa purificação das nāḍīs, os canais da energia vital. Este respiratório é importantíssimo no Yoga, pois promove o bhūtaśuddhi, a purificação dos elementos do corpo sutil, requisito preliminar e indispensável para as práticas mais avançadas. Para faze-lo corretamente, siga atentamente estas instruções.

O nāḍīśodhana é silencioso e agradável. Se em algum momento você sentir que está perdendo o fôlego, ou que está ficando ofegante, reduza proporcionalmente a duração de cada fase até achar o tempo ideal para a sua capacidade pulmonar individual. Um detalhe: este respiratório precisa fazer-se sem forçar absolutamente nada, sem fazer ruídos, sem ressoar, sem perder o fôlego, sem cansar-se, sem mudar de posição, sem mover-se, sem coçar, sem oscilar, firme como uma rocha. Deve praticar-se apenas pela manhã, antes das nove horas; preferentemente, entre as quatro e as seis.

Quanto prāṇāyāma fazer? Vinte ciclos é uma ótima forma de se começar. Um ciclo completo de respiração alternada significa que você inspira por uma narina, retém o ar, exala pela outra, e retém sem ar. Se não tiver tempo para fazer vinte ciclos, inicie com dez em cada prática.

Como levar a contagem sem perder-se nem distrair-se do exercício? Para contar, você deve usar o japa málá de dez contas da sua própria mão. Use a esquerda, pois com a direita você irá obstruir as narinas. Comece na segunda falange do dedo anular (1), e vá em sentido anti-horário, pela terceira falange do mesmo dedo (2), depois descendo para a terceira (3), a segunda (4) e a primeira falange (5) do mínimo, depois para a primeira falange do anular (6), a primeira falange do dedo médio (7), a primeira (8), a segunda (9) e finalmente a terceira falange do indicador (10).

Depois se faz o caminho inverso, começando a segunda contagem no mesmo ponto em que a primeira terminou (de 11 a 20). Os números ímpares correspondem à inspiração pela narina esquerda (īdānāḍī); os pares, à narina direita (piṅgalānāḍī).

Devem usar-se as contrações (bandhas), durante o kūmbhaka: jalāṇḍhara e mūla, garganta e esfíncteres. Para iniciantes, deve-se substituir o jalāṇḍhara pelo khecharīmudrā, elevação da língua. Durante o a retenção vazia se faz o bandhatraya, a ativação tríplice: assoalho pélvico, baixo ventre e garganta.

Para alternar a respiração se usa viṣṇumudrā, com a mão direita frente ao nariz, e os dedos indicador e médio recolhidos na palma. A mão se movimenta o mínimo possível: apenas as pontas dos dedos obstruem alternadamente a depressão acima das narinas, sem forçar nada. O braço pode ficar em contato com a caixa torácica, para não se cansar.

vishnumudra

Nāḍīśodhana prāṇāyāma.

Inicie sentando numa posição firme e agradável, com as costas bem eretas. A mão esquerda fica em jñānamudrā sobre o joelho, com o polegar a o indicador se tocando, e a direita em viṣṇumudrā. Usaremos apenas o polegar e o anular: o polegar para fechar a narina direita, o anular para fechar a narina esquerda. Não coloque demasiada pressão. Obstrua, não o orifício da narina, mas a depressão logo acima dela. Para iniciar, feche a narina direita com o polegar e respire profunda e ritmicamente, apenas pela esquerda. Inspire e expire pela narina esquerda. Não force nem segure a respiração.

Esvazie por completo os pulmões. Ao inspirar, encha primeiramente o abdômen, depois a região intercostal e o peito. Concentre-se no processo da respiração. A inalação e a exalação devem ser iguais. Conte mentalmente usando o mantra Oṁ. O mesmo número de repetições para inspirar e expirar. Se você inspira durante três repetições do mantra Oṁ, expire também por três repetições do Oṁ. Se você inala fazendo mentalmente Oṁ cinco vezez, exale no mesmo número. Consciência total no processo respiratório. Respire de forma completa: inspire enchendo o abdômen, a região intercostal e o tórax.

Exale de forma inversa: esvazie primeiramente o tórax, depois as costelas e finalmente o abdômen. Respiração profunda. Você fará esta respiração por uns dez ciclos. Não precisa contar. Simplesmente respire. Isto é chandranāḍī prāṇāyāma. Refresca o corpo, é sedativo e é bom para controlar o sistema nervoso. Respiração rítmica e profunda, apenas pela narina esquerda (2 minutos em silêncio). Seus olhos devem estar fechados. Consciência total no processo respiratório (1/2 minuto em silêncio).

Agora, faça uma retenção vazia, exale e fique sem ar pelo tempo que lhe for confortável, sem forçar. Se não for possível reter por mais tempo, inspire lenta e profundamente e faça uma retenção interna, com os pulmões cheios, pelo tempo que lhe for confortável, sem forçar. Feche a narina esquerda com o dedo anular e exale pela narina direita e passe a respirar de forma profunda e consciente, apenas pela narina direita. Inalação e exalação lenta e profunda, somente pela narina direita. Lembre que o tempo da inalação e da exalação devem ser iguais. Conte mentalmente o mantra Oṁ para pautar o ritmo. Respire de forma completa: inspire enchendo o abdômen, a região intercostal e o tórax.

Exale de forma inversa: esvazie primeiramente o tórax, depois as costelas e finalmente o abdômen. Respiração profunda. Isto é sūryanāḍī prāṇāyāma. É muito bom para estimular a visão e a digestão e revigorar o sistema nervoso. Dá foco à mente, poder físico e produz intenso calor. Você fará também esta respiração por uns dez ciclos. Novamente, não precisa contar. Simplesmente respire. Respiração rítmica e profunda, apenas pela narina direita (2 minutos em silêncio).

Agora exale e faça uma retenção vazia, pelo tempo que lhe for possível, sem forçar. Quando não for mais possível reter, inspire lentamente ainda pela narina direita e retenha o ar com os pulmões cheios, pelo máximo de tempo que puder, porém, sem forçar.

Depois, feche a narina direita com o polegar, exale pela esquerda e inspire em seguida por ela. Troque de narina, exale pela direita e inspire por ela. Exale pela esquerda e inspire por ela. Exale pela direita, inspire pela direita. Isto é nāḍīśodhana prāṇāyāma, a respiração alternada, que purifica os canais do corpo energético.

Você inspira pela mesma narina pela que exalou. Somente depois, troca de narina, com os pulmões cheios. Respiração rítmica e profunda, alternando as narinas. Lembre que os tempos de inspiração e exalação devem ser iguais. Faça mentalmente o mantra Om para contar os tempos de inalação e exalação. Se você inspira durante três repetições do mantra Om, expire também por três repetições do Om. Se você inala durante cinco Om, exale no mesmo número. Consciência total no processo respiratório (1/2 minuto em silêncio).

Este exercício revigora o sistema nervoso e o intelecto, purifica o corpo sutil e dá muita energia. O processo completo de purificação do sistema dos meridianos vitais leva cerca de quatro meses, e deve incluir ainda cuidados com alimentação, hábitos e emoções. Esta é uma prática essencial. Sem ela, é difícil atingir estados de meditação profunda. Respiração rítmica e profunda, alternando as narinas. Esta respiração deve fazer-se igualmente por dez ciclos. Novamente, não precisa contar. Simplesmente respire (2 minutos em silêncio).

A próxima vez que você expirar pela narina esquerda, faça uma retenção sem ar nos pulmões, pelo tempo que lhe for confortável. Quando não for mais possível segurar sem ar confortavelmente, inspire lentamente e retenha agora com os pulmões cheios. Depois, exale pela direita e faça mais uma retenção vazia.

Se não for mais possível segurar sem ar confortavelmente, inspire muito lentamente e retenha agora com os pulmões cheios. Exale por ambas narinas e faça respiração rítmica e profunda. Respire de forma completa: inspire enchendo o abdômen, a região intercostal e o tórax. Exale de forma inversa: esvazie primeiramente o tórax, depois as costelas e finalmente o abdômen. Respiração profunda.

Os tempos de inspiração e expiração devem ser iguais, pautados pelo mantra Om, feito mentalmente. A atenção concentrada no processo da respiração. Respiração profunda e consciente por ambas narinas. Isto melhora a digestão, purifica o sangue e irriga com maior intensidade o cérebro. Aproximadamente 30% do oxigênio é consumido pelo cérebro. Ao assimilar mais oxigênio, você estará alimentando melhor o seu cérebro (1/2 minuto em silêncio).

Você poderá aplicar este exercício de respiração consciente a qualquer altura do dia ou quando você estiver cansado, menos imediatamente após as refeições. Não se preocupe em contar. Apenas respire. Agora expire e retenha pelo tempo que puder com conforto. Quando não conseguir mais reter, inspire lentamente e retenha mais uma vez. Aqui se encerra o nāḍīśodhāna prāṇāyāma.

Extraído do livro Yoga Prático.
Por Pedro Kupfer

One Response to “Nāḍīśodhana – A respiração alternada”

Deixe seu comentário