Yoga fora do tapetinho: praticando a não violência

É comum que no ocidente a prática de yoga tenha um foco maior nas posturas. Quando perguntamos para alguém que nunca praticou o que é yoga, na maioria das vezes a resposta será: yoga é realizar aquelas posturas difíceis e virar de ponta cabeça. Porém, sabemos que yoga vai muito além disso, é um estilo de vida, uma prática que existe há milênios, que visa o autoconhecimento e a liberdade (moksha) do indivíduo.

Dentro do vasto ensinamento do yoga temos os yamas, que são um conjunto de proscrições éticas – ou atitudes que deixamos de ter para viver em harmonia com o Dharma (o bem comum). Hoje falaremos sobre Ahimsa – a não violência.

Durante a prática física de yoga adotar ahimsa não parece ser tão difícil: tomar consciência do que o corpo pede para aquele momento, fugir das dores articulares, não forçar, são atitudes importantes que devem fazer parte da sua prática. Porém, algumas vezes o ego pode querer se sobrepor à inteligência, e a vontade de executar um ásana trabalhoso mesmo sentindo que o corpo não quer aquilo falará mais alto. É nesse momento que lesões poderão aparecer, e para que isso não aconteça, cultivar uma atitude mental de não violência consigo mesmo é essencial.

O mais difícil, contudo, é colocar esse yama em prática fora da sala. Quando terminamos a prática e voltando para casa alguém te dá uma fechada no trânsito; ou ao chegar em casa você tem um desentendimento com um familiar; ou ainda no trabalho o seu chefe é rude com você.

Tais situações facilmente tiram as pessoas do sério, e eventualmente ações violentas podem ser tomadas. Ações essas que podem vir de um mau pensamento, uma palavra rude, até chegar a um gesto de violência.

Praticar ahimsa é ter o controle dos órgãos de ação, saber controlar as palavras que saem da boca, os impulsos de machucar alguém fisicamente. É um exercício diário que consiste em estar consciente de toda e qualquer ação, todo e qualquer pensamento.

É se colocar no lugar do outro, e não deixar que a raiva te domine. É ser o senhor das próprias atitudes, percebendo que não podemos controlar um sentimento ruim que hora ou outra irá surgir, mas podemos – e devemos – controlar o modo de agir diante desse sentimento.

Agir com ahimsa é agir com amor, enxergar você mesmo em cada pessoa, em cada ser vivo. Perceber que todos somos uma grande família que merecem respeito e compreensão. Adotar essa proscrição ética no dia a dia fará bem não apenas ao próximo, mas também a si mesmo, deixando o coração e a mente tranquilas. Algumas vezes pode não ser fácil, mas vai valer muito a pena persistir.

Boas práticas!

Gabriela Zanardi 

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