Animação da Pixar aborda espiritualidade indiana de maneira divertida

Muita gente já deve ter assistido porém acho válido escrever algumas palavras sobre esta animação da Pixar que concorreu ao Oscar como melhor curta-metragem neste ano.

Sanjay´s Super Team conta a história do próprio diretor Sanjay Patel, de ascendência indiana, e que durante toda sua infância esteve em conflito ao confrontar seu gosto infantil por desenhos animados de super heróis e a necessidade de acompanhar seu pai em suas meditações e orações diárias. Em um desses rituais o pequeno garoto deixa levar-se por sua imaginação e tem um encontro marcante com as deidades hindus para as quais seu pai reza. Junto com os deuses Hanuman e Visnhu e a deusa Durga, Sanjay passa por uma divertida aventura até solucionar seus conflitos e encontrar a paz com suas tradições familiares.

Apesar de uma história simples e leve, ela nos faz refletir sobre como damos pouco espaço para observar as tradições e exercícios de fé das gerações anteriores e o quanto isso pode gerar conflitos interiores.

De uma maneira metafórica, o curta nos mostra que é possível viver em harmonia com as tradições das gerações anteriores quando buscamos entender e respeitar aquilo que move e impulsiona a fé de pessoas que talvez nunca quiseram impor nada à nós, apenas gostariam de nos passar algo que aprenderam, experimentaram e acreditam ser fonte de paz interna.

O diretor do filme cresceu nos Estados Unidos, em meio à cultura muito diferente da indiana e sempre sentiu se deslocado ao deparar-se com as tradições de sua família. Em suas próprias palavras, este conflito apenas cessou quando aceitou suas origens e sua raça e hoje vê que a realização deste filme foi uma cura interna:

“Por muito tempo foi muito difícil para mim, como se eu tivesse que esconder minha identidade indiana. Meu nome é Sanjay Patel. E durante minha infância e adolescência foi difícil para mim aceitar meu nome, a cor da minha pele e minha identidade. Tem sido muito curador saber que as pessoas estão OK com tudo isso, que de fato as pessoas gostam disso e que de fato elas querem saber mais sobre isso. Esta resposta foi curadora para mim, não apenas como produtor e diretor de filmes, mas também como pessoa de cor.” (esse trecho foi retirado desta matéria)

Assista ao curta-metragem inteiro aqui:

Rodrigo Furuta

Deixe seu comentário