Mantras: a linguagem divina

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“Sempre fomos levados a pensar que a expressão máxima do poder espiritual é a Luz. Enganados estamos. A criação divina se manifesta pelo som.

João, em seu Evangelho, já nos dizia que “No princípio era o Verbo…”, e assim nos revela que o som é o instrumento primordial da criação.

Na sabedoria do Oriente também encontramos esses indícios em ensinamentos ancestrais, os quais dizem que todo universo é criado quando Deus decide manifestar a realidade pelo poder do verbo divino, chamado de Saraswati (também conhecida como a deusa da sabedoria) ou Vak – a Palavra.

Na prática de Yoga também incluímos o som como ferramenta – o chamamos de mantras. Podemos definir o mantra de várias formas: ferramenta (tra), para controlar a mente; e (manas), linguagem divina, libertar-se da mente, verbo cósmico, etc.

Os mantras são repetições de sons sagrados que tem sua origem na Índia Antiga; tradicionalmente, a linguagem utilizada é o Sânscrito (literalmente, linguagem dos deuses) e a escrita é Devanagari.

Existem mantras em outras línguas, mas os recitados em sânscrito tem um poder especial, pois cada letra desse alfabeto (50 no total) corresponde às 50 pétalas dos seis chakras, da base até a fronte (o Sahashara que é o sétimo, do topo do crânio, tem sozinho mil pétalas).

Sendo assim, entram em ressonância com as pétalas dos chakras fazendo-as vibrar, desencadeando uma poderosa sequência de efeitos energéticos. Seu poder está mais relacionado à vibração emitida por tais combinações de sons do que o significado em si.

Dentre os benefícios da recitação de mantras podemos citar:

– controle mental, favorecendo o estado meditativo,
– obter clareza em relação ao propósito da própria vida quanto de si mesmo ,

– livrar-nos dos maus hábitos mentais condicionados e indesejáveis, elevando o nível de consciência,

– prepara os chakras para receber a energia espiritual
– atua diretamente sobre o Karma

– ajuda-nos a atingir metas e objetivos espirituais

– eleva a vibração do corpo, eliminando a energia densa, como um expurgo, para dar lugar para o novo se acomodar.

Quanto à sua forma, podemos classificá-los de três maneiras basicamente:

Bija : som seminal constituído por uma única sílaba sem nenhuma conotação específica e que encerram em si a experiência energética.

Exemplo: Shrim é o som utilizado para atrair abundância em todas as sua formas, seja ela material, espiritual, de saúde, paz amor, etc. É o som semente que corresponde à energia de Lakshimi.

Yam é o som semente do Anahata chakra, do plexo cardíaco, utilizado para desenvolver o amor, compaixão, perdão e saúde física.

Japa : é a repetição intensiva não melódica de frases mais curtas ou até mesmo de bijas, com o objetivo de se alcançar uma meta específica. Geralmente é usado o mala (o terço hindu com 108 contas) ou no caso de não o ter, é estipulado um tempo mínimo para sua recitação.

Exemplo: Om Gam Ganapataye Namaha – Mantra atribuído à Ganesha (o deus elefante, filho de Shiva), o removedor de obstáculos.

Om Namah Shivaya – Mantra atribuído ao deus Shiva para trazer desenvolvimento e discernimento espiritual.

Kirtan: traduz-se como cântico. É o mantra em sua forma mais melódica e extrovertida.

Exemplo:

Om Sat-Chit Ananda Parabrahma,

Purushotama, Paramatma,
Sri Bhagavathi Sametha,
Sri Bhagavathe Namaha
Hari Om Tat Sat

Mantra que celebra a manifestação do divino masculino e divino feminino em nós.

Além de todos os seus benefícios, entoar um mantra é muito prazeroso”.
Em uma adaptação da sabedoria popular dizemos: “quem mantra seus males espanta”.

Namaste
por: Marcella Zamarioli

Publicacada originalmente no Site Yoga Pela Paz

Fotografia de Flávio Rodrigues

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