Percepções sobre a prática de AcroYoga

Tudo tem seu tempo! Há muito o que descobrir…

Já faz um pouco mais de um mês que conheci uma nova parceira de AcroYoga que é uma excelente professora de Yoga. Na primeira prática, tudo fluiu perfeitamente. Ela já tinha praticado com uma parceira que foi morar longe, mas sua prática era, segundo ela, basicamente estática. Passei a ensinar novas posturas e transições. Nossa prática fluiu perfeitamente, parecendo que já praticávamos à muito tempo. Passou-se duas semanas e nos reencontramos. Estávamos sedentos por reviver aquilo e evoluir rápido… Para nossa surpresa, a maioria das coisas saíram erradas. Penso que ao invés de evoluir, regredimos. Algo não andava bem!

Voltei para casa com aquilo na cabeça. O que tinha acontecido? Será que eu tinha desaprendido a técnica? Será que eu não estava ensinando direito? Será que ela desaprendeu? Seria a comunicação? Voltei a praticar com outras pessoas, com aquelas que já tinha afinidade e tudo fluiu perfeitamente. Foi aí que comecei a levar minha atenção para o sutil. Comecei a perceber que nossas expectativas, em função do primeiro encontro, cresceram muito além do que podíamos dar e perdemos a atenção a muitas coisas importantes. A primeira delas foi a escuta de si próprio e do outro. Pulamos a execução de algumas posturas estáticas. Nossas respirações não estavam sincronizadas. Havia pressa e ansiedade no que nós desejávamos fazer, apesar de nossa comunicação estar boa, pois eu sempre dou muita atenção a isso!

Com aquilo na cabeça, decidi mudar a situação e liguei para ela explicando que já tinha encontrado as respostas para nossos problemas. Fiquei de explicar os detalhes pessoalmente, o que deixou ela ansiosa, mas pedi calma e confiança… Queria que ela começasse a trabalhar as expectativas assim como eu já vinha trabalhando. Foi então que, alguns dias depois, dei de cara com um artigo escrito por uma professora de Yoga e AcroYoga, Deven Sisler, “5 coisa que eu aprendi sobre relações a partir da AcroYoga”. Aquilo teve o poder de organizar meus pensamentos, me preparar para uma das mudanças mais importantes na minha prática e quem sabe na minha vida. Apresento aqui uma modesta tradução do texto feita por mim.

O texto, como podem ver, é excelente, muito construtivo e percebi que apesar de não estar explícito, no item (1) podemos ler também: “De uma relação para a outra.” Essa é a mais difícil! As vezes necessária, pois mudamos com o tempo e uma nova posição de conforto as vezes precisa ser buscada. Feridas devem ser curadas e quando estivermos nos amando adequadamente e em paz, estaremos prontos para mudanças e novas posturas.

Trabalhar nossas expectativas e encarar a realidade lidando com elas com parcimônia também ajuda bastante. Afinal, ter expectativas é normal! Não saber lidar com elas é que é o problema. Ainda mais quando envolvem pessoas e nossos parceiros. Não ir com muita sede ao pote! Tudo tem seu tempo! Por isso ela fala “Estar presente e respirar”, isso trás tudo junto.

Deixo aqui meu obrigado por essa contribuição.

Namastê

Mauricio Coelho

-Tradução:

“5 coisa que eu aprendi sobre relações a partir da AcroYoga

“Meu relacionamento com a AcroYoga foi amor ao primeiro vôo, assim como o meu relacionamento com meu marido”.

Após muitos anos praticando, ensinando e me envolvendo com meu parceiro acrobático, eu descobri mais do que eu poderia imaginar sobre mim e como me relaciono. Essas são algumas das lições mais importantes, que poderão ajudá-los a encontrar felicidade e relacionamentos saudáveis dentro e fora do seu tapete.

Transições são difíceis! Na vida e na AcroYoga, quando mudamos de um trabalho para o outro, de uma casa para outra, de uma postura para outra, existe um espaço intermediário que é muito difícil. Este intervalo sem rótulo e sem nome entre uma situação anterior e a próxima é o menos estável e mais desconfortável, tendo o maior potencial para o fracasso. Permanecer no presente e respirar durante esses períodos poderá ser doloroso mas tornará o resto da jornada muito mais doce.

Peça ajuda! Muitas vezes precisamos de ajuda mas não pedimos ajuda ao nosso parceiro e ficamos desapontados porque ele não tem telepatia. Isto não é uma receita de sucesso para qualquer um. AcroYoga é uma zona neutra onde nós podemos praticar pedindo ajuda, procurando orientação ou fornecendo mais assistência quando você está em luta. Você pode perceber sua reação quando as coisas vão mal e pode reforçar sua voz requisitando o que você precisa. Porque precisamos deixar as coisas se tornarem tão difíceis para pedir ajuda? Eu não sei, porém, nós podemos praticar tentando mudar essa atitude.

Exercite seu músculo da confiança! Meu trabalho quando eu vôo, não é me preocupar sobre a falha, mas permanecer otimista e acreditar. Eu me sinto super apoiado quando a base me diz, “Pode confiar, estou aqui,” especialmente quando estou um pouco nervoso durante a nova postura ou transição. Eu encorajo ele a dizer isso calmamente e frequentemente. Assim, eu posso acreditar mais e mais, mesmo quando nada faz sentido na minha cabeça e o medo tenta tomar conta.

A honestidade é a melhor política. A comunicação clara começa quando somos honestos conosco, desde o início e como princípio. Fundamentalmente, todos nós desejamos ser bons, generosos e compassivos. Quando temos autoconhecimento, sabemos de nossas expectativas e temos clareza sobre nosso próprio entendimento, podemos eliminar muitas das tensões e das possíveis batalhas com o parceiro. Não somos responsáveis pela reação das outras pessoas, desde que tenhamos feito o nosso melhor para sabermos e então falarmos a nossa verdade.
Deixa ir. Meu parceiro e eu nos encontramos através da AcroYoga e brigamos por alguns meses quando nossa parceria acrobática se tornou frustrante, o que foi desagradável, enquanto a nossa vida romântica estava bem. Nós concordamos em dar um tempo em treinar juntos. Nosso relacionamento floresceu e quando nós retornamos a praticar juntos, tivemos uma nova e próspera perspectiva, com melhor habilidade na comunicação. Pesquisas mostram que parceiros que tiveram algum tipo de desentendimento e se permitiram a serem mais flexíveis em relação a tudo, tiveram uma relação saudável e feliz no longo prazo.”

Por Deven Sisler

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