Aceitando as nossas naturais imperfeições

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No último texto falamos de Ahinsa, Tapas e Asteya, respectivamente, “Não violência”, “Austeridade” e “Equilíbrio”.

Devemos lembrar que isso não se limita a parte física, mas também diz respeito a nossas relações com os outros seres e o ambiente em que vivemos, ou seja, falamos mais do corpo físico, mas esta visão pode e deve ser extrapolada para nossas relações, pois o Yoga não se limita a prática no tapetinho!

Fica então a pergunta: O que precisamos para atingir este objetivo de Equilíbrio além das atitudes de Não violência e Austeridade?

Imagine que estamos caminhando por uma trilha bem difícil, cheia de altos e baixos, caminhos estreitos e perigosos. Para que possamos caminhar por essa trilha, não basta termos cuidado e disposição. Precisamos conhecer o caminho e nossas habilidades.
O mesmo acontece aqui na nossa prática. É necessário que conheçamos nosso corpo, o que ele é capaz e o que ele não é. Ter em mente nossas potencialidades e fragilidades.

Tudo isso passa pelo processo de tomar consciência das assimetrias, deformações e flutuações naturais do corpo.

As assimetrias podem ser, ombro mais alto que o outro, uma perna mais fina ou mais curta. Um lado do quadril mais móvel que o outro. Um braço mais forte e etc. Todos nós temos assimetrias!

As deformações podem ser, uma retificação servical ou dorsal, pernas muito curtas, quadril pouco flexível e etc.

Aqui cabe um parêntesis que costuma causar muita polêmica, mas não tenho intenção de esgotar o assunto, apenas dar algumas diretrizes. Algumas pessoas possuem facilidade de executar posturas ao contrário de outras. Esta dificuldade no segundo grupo pode acontecer por encurtamento de músculos, ligamentos e/ou por formações ósseas. Neste caso, é muito importante um diagnóstico, pois tentar forçar posturas onde há limitações ligamentares ou ósseas certamente levará a lesões. A ajuda do professor de yoga ou de um profissional de saúde certamente será útil, mas podemos utilizar uma regra que funciona na maioria dos casos. Ao executar posturas que apresentam dificuldade, preste atenção se há dores musculares ou nas articulações. Caso as dores sejam nas articulações, não force! Provavelmente há limitações ligamentares ou ósseas e forçar provavelmente causará danos aos ligamentos levando a fragilidades das articulações. Mesmo que as dores sejam em músculos, é necessário muita parcimônia pois o rompimento de fibras musculares pode ser grave e certamente levará ao retrocesso. Lembro que a prática física do Yoga não tem um fim em si mesmo.

Atenção a aquelas lesões que tivemos no passado, a disposição do nosso corpo no dia da prática e ter em mente que a evolução leva tempo, também são fundamentais para mantermos nosso corpo saldável. Não há atalhos!

Reabrirei esse parêntesis em breve pois há muito o que discutir…

Eu aceito da mesma forma essas assimetrias, essas aparentes “imperfeições”, sejam elas temporárias ou não. São parte da perfeição! Daquilo que eu sou enquanto corpo!

Toda essa informação, inteligência que sou, características naturais do meu corpo, faz parte da “Ordem Universal” das coisas.

Portanto, a nossa Prática de Yoga deve levar em conta esta “Ordem”. Não importando a causa e o motivo pelo qual seu corpo está agora. O que importa é a maneira como me relaciono com este material, hoje, no presente e o que faço em relação a isso na nossa prática.

Em nenhum dos casos, quando percebo as assimetrias e imperfeições, sejam elas no corpo e nas relações, eu vou rejeitar. Se eu considerar que posso melhorar alguma coisa, vou fazer isso conscientemente. Se eu percebo que não há necessidade, eu aceito!

Portanto, quando praticamos, devemos deixar que as sensações físicas sejam o foco do seu pensamento. A partir daí, estamos desenvolvendo a escuta do nosso corpo, ao mesmo tempo que temos consciência daquilo que posso melhorar e daquilo que eu devo aceitar. Ter o discernimento entre aquilo que eu posso mudar e o que está fora de minhas possibilidades agora.

A partir daí, percebo a tranquilidade daquele que observa, antes e depois das ações. O observador está presente! O OM, aponta para essa consciência testemunha.

Namastê

PS: Esse texto foi produzido a partir de anotações e fragmentos de aula da formação de professores do Pedro Kupfer, o que inclui a professora de anatomia, Carol Martins Langowski

Por Mauricio Coelho

Mauricio é professor de Yoga no Rio de Janeiro, para entrar em contato com ele mande um e-mail para mcatugy@hotmail.com ou acesse a sua página Facebook.

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