Iluminação é uma experiência?

 

Existe uma crença, bastante disseminada no mundo do Yoga que diz que a iluminação é uma experiência a ser alcançada. Isso é chamado samādhi ou nirvāṇa.

Existem de fato vários tipos de samādhi, estados de clareza, organização e tranquilidade dos pensamentos, da mente, a abstração em relação aos nomes e formas, namarūpas, o que não significa que eles sejam experiências.

A busca por experiências causa frustração e sofrimento, mas não remove a ignorância existencial, aquela que é inerente ao ser humano.

A expectativa ou identificação com o resultado das experiências, seja ele bom ou ruim, e o apego às experiências, reais ou imaginárias, gera frustração, pois as experiências são momentâneas e limitadas: estão condicionadas ao tempo, têm um início e um fim.

Não devemos buscar as experiências como fontes de felicidade, mas tampouco podemos negá-las como constituintes da realidade subjetiva que vivemos. Devemos, sim, observá-las com equanimidade e discernimento.

Mokṣa não é uma experiência. Mokṣa é reconhecer quem somos, a plenitude, a completude que já somos. Mokṣa é liberdade para ser essa plenitude, é reconhecer-se como o Ser livre de condicionamentos, de limitações, de apegos e ilusões.

Essa liberdade é alcançada através do autoconhecimento e é este precioso conhecimento a tão almejada iluminação.

Os cinco sentidos são meios de conhecimento, pramānas, para percebermos a vida. Brahmavidyā, o autoconhecimento, é o meio de conhecimento para nos darmos conta da plenitude e de que já somos essa plenitude.

E ainda percebermos que todas as experiências são experiências de Ātma. Este conhecimento é profundo, pois fala de nós mesmos e traz clareza e compreensão acerca do absoluto e do relativo para que possamos desfrutar desta experiência que é a vida.

Não é buscando experiências que vamos adquirir o conhecimento. A meditação, por exemplo, ajuda a mente a organizar os pensamentos, prepara a mente para receber o conhecimento e também contribui para assimilá-lo, mas o conhecimento não vem apenas com a meditação.

Ātma não é um objeto que precisa ser encontrado, não está fora nem está dentro, ele está presente em todas as coisas e deve ser reconhecido igualmente em toda a manifestação de Īśvara. Conhecer Ātma é reconhecer todos os seres em si mesmo e a si mesmo em todos os seres.

Ninguém se ilumina porque atingiu um estado de consciência especial, um samādhi. Não nos iluminamos apenas tendo experiências, senão com o conhecimento e um esforço continuado para nos mantermos no estado de Yoga.

Por mais que as experiências possam contribuir com o processo de nos darmos conta de nós mesmos, só o conhecimento permanece.

Hariḥ Oṃ!

Por Camila Felipe Melo

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