Mauna

“O antar mauna nos ensina a eliminar o conflito interior causado pelos samskaras e o diálogo infernal da mente. Nos ensina a respeitar a mente e aceitar os seus conteúdos. Nos ensina a ver-nos como testemunha imparcial, aceitando as experiências e reações da mente e, posteriormente, aprendendo a controlá-la. Isso irá desenvolver a autoconsciência e a capacidade de se conhecer”.

Pedro Kupfer no livro Yoga Prático.

“Muitos pensam que mauna é apenas ficar de boca fechada. Mas esquecemos que os outros sentidos permanecem se comunicando com o mundo e a mente não se silencia. Para quem assistiu o filme “Comer, rezar e amar; esta passagem me lembra aquele patético exemplo de mauna, dado quando a protagonista se depara com uma das habitantes do ashram. Nesta passagem do Mahabharata, o sábio Sanatsujata nos explica de forma breve o verdadeiro significado desta ascese.

Dhritarashtra disse: “Qual o objetivo da ascese? Mauna? Eu ouvi que há dois tipos de mauna: continência da fala e meditação. Qual é superior? Poderia uma pessoa atingir este estado de quietude a se tornar livre através de mauna? Como deve ser praticado?”

Sanatsujata disse: “O objetivo de mauna é reconhecer aquilo que está além do alcance de palavras e da mente. O verdadeiro mauna consiste não somente na continência da fala, mas na continência absoluta de todos os sentidos e da mente. O aspecto, forma e natureza de mauna deve ser necessariamente a dissolução daquilo que é objetivo e subjetivo (dualidade) e o foco em Brahman apenas. Quando este estado é “alcançado”, Brahman é “alcançado”. Brahman é representado pelo símbolo védico Om, que representa o denso, o sutil e o causal. Mauna é alcançado pela gradativa dissolução do denso no sutil, do sutil no causal e do causal em Brahman.”

Mahabharata – Udyoga Parva por Bruno Jones

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